Fevereiro 14, 2011

Pensar ao lado

por: Vasco Durão

Estamos a entrar numa nova era, a Era Conceptual, como conceptualiza Daniel Pink, autor que se tem debruçado sobre o tema da mudança e da motivação no mundo do trabalho. Já vivemos a Era Agrícola, que foi ceifada para dar lugar à era industrial. Mas a poluição foi tanta que a Era da Informação desfolhou o compêndio e instalou-se. Como o cérebro humano, felizmente, não consegue ficar muito tempo instalado, abriu-se à Era Conceptual e as ideias começaram a fluir.

Esta é a Era em que se vão afirmar os recursos mais importantes das empresas: as ideias e a capacidade criativa da força de trabalho. E quais são as empresas que vão fazer a diferença na Era Conceptual? As empresas que trabalham nos campos da comunicação, informação, entretenimento, ciência e tecnologia; e que acreditam que a criatividade é o motor do sucesso e, como tal, tem de ser transversal a toda a organização e não apenas o domínio do departamento que tem esse nome. Aliás, a própria noção de Departamento Criativo implica que 95% das pessoas que trabalham em marketing e comunicação não é suposto serem criativas. Nada mais errado: todos somos criativos e a criatividade não é inata, mas sim aprende-se e trabalha-se.

Vão fazer ainda a diferença as empresas que potenciam e motivam uma nova espécie de ser humano, o homo conceptualis, na qual se enquadram ?creators and empathizers, pattern recognizers, and meaning makers (...) artists, inventors, designers, storytellers, caregivers, consolers, big picture thinkers?, nos termos universais e difíceis de traduzir de Daniel Pink. Esta espécie distingue-se ainda por explorar as potencialidades do lado direito do cérebro.

Se abrirmos literalmente a cabeça descobrimos que o nosso cérebro se divide em dois hemisférios. O lado direito é não-linear, intuitivo e holístico; o esquerdo é sequencial, lógico e analítico. O lado esquerdo lida com o que é dito; o direito foca-se em como é que é dito. O lado direito preocupa-se com a síntese, a expressão emocional, o contexto e a ?big picture?; o esquerdo lida com a lógica, a sequência, a literalidade e a análise. O lado esquerdo pensa em utilidade; o direito em significado. O lado direito é a imagem; o esquerdo é as mil palavras. E se o lado esquerdo do cérebro, mais racional, teve um papel central na Era da Informação, o lado direito é o que vai desequilibrar na Era Conceptual. Quanto mais não seja porque o hemisfério direito é fundamental para perceber e apreciar o humor. O humor que nos torna mais permeáveis e abertos a novas influências e a novas ideias. E mais, sem humor não há conceito.

Mas afinal o que é que eu faço, que foi para responder com seriedade a essa pergunta que me pediram para escrever este texto? Mudei-me para a Era Conceptual. Trabalho em estratégia de comunicação. Tento abusar do lado direito do cérebro. A criatividade é o meu meio. O design é o meu fim.

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